quarta-feira, 29 de junho de 2011

Cutting ou Auto-Mutilação


Uma das perturbações emocionais que me causa mais angústia é o cutting, ou auto-mutilação. Muitos jovens e adolescentes pegam em facas e tesouras para se cortarem como forma de aliviar a dor e a angústia que os atormenta.

A lógica deste comportamento baseia-se na crença de que uma dor superior alivia uma dor menor, ou seja, se me dói um dedo, essa dor terá pouca importância se entretanto partir uma perna! Sendo assim, a dor de um corte na barriga, nos braços, onde for, irá proporcionar um breve esquecimento do sofrimento da alma. O objectivo não é o suicídio, mas a frustração de não conseguir ultrapassar os problemas poderá conduzir a isso mesmo, além do perigo que representa um corte mais profundo no local errado!

É bastante comum verificar esta patologia em simultâneo com distúrbios alimentares e por conseguinte, é importante que os pais e educadores estejam atentos, porque acreditem, não é uma pieguice para chamar a atenção! Até porque normalmente os doentes escondem os cortes o quanto podem, como se fosse um segredo que lhes confere algum poder, enquanto controlam a situação.

É imperativo que a família ajude o jovem, começando pela reconstrução da sua auto-estima, restabelecendo os laços afectivos que muitas vezes, até por distracção, podem ter sido negligenciados e por isso mesmo ter proporcionado o isolamento e sentimento de abandono do adolescente. Actividades familiares de lazer, incentivar o jovem a participar em actividades lúdicas e desportivas que sejam do seu agrado e lhe permitam desenvolver os seus dons, mas sobretudo o acompanhamento psicológico que é fundamental para a cura, podendo frequentar uma terapia de grupo até com os pais, afinal de contas, o seu filho não se deprimiu sozinho!

Pense nisso.

Um comentário:

  1. Professora, realmente os alunos das séries finais do ensino fundamental têm preferência pela literatura comercial, mas por incrível que pareça tenho conseguido fazê-los apreciar verdadeiramente algumas obras nestes 4 meses que estou em contato com duas turmas do nono ano. Trabalhei vários contos de Clarice Lispector, O Bar de Ivan Ângelo, depois de trabalhar com contos de fadas. O Auto da Compadecida fez muito sucesso, a obra e o filme. Depois apresentaram um teatrinho muito divertido. Trabalhei também Romeu e Julieta, a obra e o filme. Depois pedi diário da Julieta para as meninas e do Romeu para os meninos. Deu certo também. Outra obra que mostraram interesse foi "Drácula de Bram Stoker". Mas a que não pára na minha sala de leitura é "Alice no país das Maravilhas".
    Tenho também um aluno que prefere obras filosóficas. Sempre encontro uma obra para ele. Depois discutimos para que ele a compreenda, pois tenho medo que leu e não entendeu nada kkkk. A primeira foi "O Príncipe de Maquiavel".
    São muitas as que eu poderia recomendar, mas acho que o que deu certo é sempre as melhores. Mas veja que o perfil da turma tem muito a ver com as escolhas.
    Um abraço.

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